Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

30/01/2008

O garotão acanhado aí da foto, mais enfezado que acanhado, sou eu. O do lado, de bigodão e óculos pesado é o meu pai, o Jonas. Se estivesse por aqui, completaria hoje 70 anos de idade. Faz 23 que ele debandou para o lado de lá e, desde então, embala meus sonhos com seu violão afinado direto da outra dimensão. A presença física faz falta. Sempre fez. Mas eu também sei que pais não duram para sempre e que um dia, que só Deus sabe qual, eles serão chamados de volta ao céu, para descansar ou continuar cuidando da gente de lá. Ou os dois, claro. Aniversário é uma data que existe só na Terra. No mundo dos anjos o tempo caminha diferente. Sem ponteiros, nem calendário regido pelo Sol. Ainda assim, quando alguém sopra velinhas aqui embaixo, uma legião de seres angelicais se move em direção ao aniversariante. Ajudam na limpeza de sua casa, de seu coração e pensamentos, reforçam a guarda, protegem-no de todo e qualquer mal ou obstáculo, inclusive os já programados para ele vivenciar. Se há Sol, há luz extra, há flores vibrantes ou passarinhos animados a cantar. Se chuva, há renovação, há cheirinho de terra molhada, plantinhas agradecidas e um clima de aconchego todo especial. Não importa o que São Pedro reservou para você, no dia de seu aniversário. Saiba que as bençãos de Deus e a presença iluminada dos amigos espirituais – anjos, entes queridos, ou os dois - estarão contigo, tornando seu dia ainda mais animado e feliz, do jeitinho que você merece.


Aos etéreos 70 anos do Jonas Rothje e aos 30 muito bem vividos da Flávia Tonon, colega querida da agência de comunicação onde trabalho.

Quarta-feira, Janeiro 23, 2008

doce companhia

Deitei no gramado verde sem fim, fiquei olhando o céu até me perder em seu azul. Lembrei de quando era pequeno, das idas ao Jardim Botânico, dos passeios na velha charrete, puxada pelo pônei branco de cabelos de cetim. A grama do jardim, apoiada em terra firme, ainda úmida da chuva, sustentava meu pensamento infantil, minhas lembranças mais queridas. O sol pueril alegrava a manhã, inspirava as aves a cantar. Perfumes adocicados levavam meu pensamento longe. A brisa carinhosa cuidava de mim enquanto eu passeava por anos dúlcidos da minha vida. Vi meu irmão pequeno, de cabelos dourados e mãos dadas comigo, no quintal de casa. Vi minha mãe segurando o choro enquanto me olhava da janela ir trabalhar. Vi meu pai chegar cansado depois de um longo dia de trabalho e, ainda assim, me dar um abraço apertado e cheio de carinho. Vi meus avós. Vi natais e aniversários, dias tristes e outros repletos de alegria. Vi muita saudade em mim. Rouxinóis cantavam, sabiás cantavam, bem-te-vis e canários cantavam juntos. O Sol aos poucos ganhava intensidade. A brisa, mais vibrante, mexia com os eucaliptos, fazia-os dançar. Ouvi um latido. Cão grande, dourado, solto naquele tapete lindo de grama verdinha. Levantei para olhar. Estava sozinho. Acho que os passarinhos, o Sol e o vento o trouxeram lá para me alegrar. Oi irmãozinho! Ele sorria com o rabo, queria brincar. Alcancei um graveto. O cão acompanhou atento cada movimento meu. Atirei longe a madeirinha. Junto dela e do cão em disparada, a minha tristeza também se foi. E não voltou mais. Tó, amigo! Pega, pega!

Segunda-feira, Janeiro 14, 2008

carteira pequena

Eu não quero parar de brincar quando crescer. Não quero bronquear com os outros carros na rua. Quero usar roupa fresquinha e, se possível, trabalhar de sandalinha. Minha mãe usa demais aqueles cremes pra rugas. E fuma também. De cremes eu gosto, mas de cigarro, de cigarro eu não gosto não. Acho que a fumaça é que dá rugas nela. A fumaça, os palavrões e a conta do telefone. Estou com medo de fazer 7 anos. Dizem que quando a gente faz 7 anos descobre coisas - se for sobre o Papai Noel, nem vem que eu pulo direto para os 8. Outro dia fiz uma redação na escola e fui ler lá na frente. Contei sobre o meu natal, falei do presente que o Papai Noel deixou pra mim. A professora tava gostando, mas o Pedro não. Ele riu, apontou o dedo, ficou vermelho, cutucou o do lado, cobriu o rosto pra professora não ver. Acho que o pestinha sabe alguma coisa do Papai Noel que eu não sei. Fiquei bravo na hora. Com 8 anos, o Pedro nem deveria estar na mesma série que eu. A carteira fica até pequena pro joelho dele. Quando eu terminei de ler, a professora me chamou e pediu que eu entregasse a redação pra ela mostrar na outra classe. Voltei pro meu lugar contente! O Papai Noel pode até usar barba de mentira ou almofada na barriga. Se o que o Pedro sabe tivesse certo, ele não teria repetido o ano, né?

Segunda-feira, Janeiro 07, 2008

amor de mim


Eu vejo amor na revoada das andorinhas
No cochilo do cão aos pés de seu tutor
Na pirueta infantil do golfinho, na ansiedade do beija-flor
Até no cantar enjaulado do canarinho eu vejo amor.

Eu vejo amor no orvalho que beija o jardim
Na altivez do sol ao despertar da manhã
No cheirinho de terra molhada, na remanso da árvore anciã.

Eu vejo amor na simplicidade da natureza
Em sua beleza ingênua e sutileza
E, assim, com o coração preenchido pela paz sem fim
Deixo o amor que vejo contar suas histórias felizes pra mim.

vamos em frente

Quero um ano novo pintado com as cores do arco-íris. Quero metas definidas, amizades verdadeiras, quero dias produtivos e noites tranqüilas. Quero fazer mais por mim e pelos outros. Quero cultivar os bons pensamentos, quero comer menos carne, menos frituras e refrigerantes. Quero sair mais ao sol, ir mais à praia, quero rolar na grama e brincar de ver coisas nas nuvens até a noite chegar. Não quero ter pena de mim, me sentir coitado ou culpado. Quero ver minhas deficiências sem barreiras e corrigi-las com sinceridade. Quero ter mais fé em Deus, em meu anjo da guarda e nos amigos espirituais. Quero confiar no destino, quero luz para enxergar o melhor caminho a seguir e coragem para tomar as atitudes necessárias. Quero um ano novo com mais justiça e igualdade, mais ação e menos bla-bla-bla, quero mais respeito ao homem, à natureza e ao nosso querido planeta. Eu e você não somos coadjuvantes. Não somos platéia. Não estamos do outro lado da TV vendo tudo acontecer sem que possamos interferir. Somos responsáveis pela realidade que nos acorda, todos os dias. Que Deus nos abençoe a todos e que possamos, juntos, fazer 2008 realmente valer a pena!