Quarta-feira, Maio 28, 2008

adjuro!

Sou insatisfação. Sou vazio. Sou inquietude. Sou saudade. Sou cara grande, menino por dentro. Sou pensamento plural. Sou bem e mal. Sou uma vida por dia, com tristezas imortais. Sou dúvida. Sou dívida de mim mesmo. Sou bússola com norte em todos os quadrantes. Sou quadrado parado na ladeira. Sou pé de pato em pista de 100 metros. Quanto disso tudo quero ser, de verdade? Nada. Nada de insatisfação, de vazio, de inquietude, nada de saudade, de infantilidade, de pluralidade sem foco ou maldade. Quero tristezas findas, quero novas certezas, quero mais creditar que debitar, quero rumo, linha reta, quero alegria embalada e felicidade sorrisos acima.

Terça-feira, Maio 20, 2008

man at work

O Cronicato está em manutenção. Fechado para balanço. O tempo disso eu não sei precisar. Pode ser um dia ou uma semana, um mês ou seis. Alguns ajustes técnicos se fazem necessários, afinal de contas, já são quatro anos no ar - ou nas nuvens, como queira. Durante os reparos eu aperto alguns parafusos, procuro por outros que se perderam entre as engrenagens. Talvez nem precise encontrá-los. A ordem absoluta às vezes emburrece a gente. Releio alguns textos. Faço minha autocrítica. Busco novas referências. Não na literatura, na vida mesmo. Gente que prefere agir a falar ou escrever. Gente que não se preocupa com os aplausos, ou reconhecimento, pessoas comuns, gente simples e verdadeira que cumpre com seu dever cívico, moral e espiritual, pensando no seu bem, no bem dos outros e só. Fecho o ‘word’ a procura de sentimentos genuínos para expressar. Palavras honestas, frases cardíacas e sinceras. Que o travesseiro me traga as honras, e o bom sono, as novas idéias.

alegria

Graças a Jesus e São Francisco! Graças aos anjos tutelares, amigos e protetores dos animais! Graças às tantas orações sentidas, aos amigos que vibraram, torceram e acompanharam nossa história! Bastou apenas uma semana, 7 diazinhos, para que “Seu Canela”, o cãozinho carismático, encontrasse um novo lar! Ele fisgou o coração de um senhor aposentado aqui de Campinas que, ao visitar o hotel para animais, de pronto se apaixonou e não titubeou em levar nosso amiguinho embora. E olha que legal, ele terá um outro cãozinho para brincar! Vai, “Seu Canela”! Vai pular, correr, rolar e fazer feliz o coração deste homem generoso que não se preocupou com raça, sexo ou idade, que viu nos seus olhos bondosos a riqueza e a beleza que traz em sua doce alma de cão. Nós, os amigos, vamos acompanhar de perto sua nova vida, no novo lar. Afinal de contas, dos nossos corações molengas você não sai nunca mais. Alegria!!!



Nota: o senhor que o adotou já tem um macho em casa, um cãozinho de pequeno porte. Vamos torcer para que eles se dêem bem, afinal, esta é a única condição para que a adoção seja efetivada. Mas fiquem tranquilos, amigos. Quem conheceu o "Seu Canela" não tem expectativas positivas abaixo de 100%.

Quinta-feira, Maio 15, 2008


'Seu Canela', me perdoe por não poder ficar com você. Que alguém de bom coração e um jardim bem grande possa te encontrar em breve, e dar todo o amor, carinho e atenção que você merece. Você é especial, amiguinho. São Francisco e os anjos tutelares estarão sempre cuidando de você. Deus te abençoe. Rogério.

Sábado, Maio 10, 2008

escuta essa, mãezinha (segundo domingo de maio de 2008)

Poxa, mãe, como é bom ter você aqui, tão viva como nunca em meu coração. Como é doce recordar meu nome pronunciado por você. Seu carinho me fazia voltar no tempo. Seu cuidado, às vezes excessivo, dava às minhas rugas um jeitão de maquiagem, como se fosse eu ainda menino e os traços e marcas do tempo, já incrustados em minha pele, suaves linhas feitas de lápis preto, daquele que sai com água. Doce mãezinha. Lembro com clareza digital a linda canção com que você costumava embalar os meus sonhos de menino: “A estrela-d’alva, no céu desponta, e a lua anda tonta, com tamanho esplendor...”, maravilha composta por João de Barro e Noel Rosa, e cantada com a docilidade da mais corajosa intérprete do amor que eu já conheci. Mãe, minha luz Dalva e guia, que Deus te abençoe e guarde no céu de estrelas onde você brilha esplendorosa hoje.






Nota. Este foi mais um, dos muitos afagos que eu dei, e darei, à Denise dos Santos Rothje, a 'Dalva' da minha vida.

Quinta-feira, Maio 08, 2008

fazer o que se gosta

Profissão é amor remunerado. Digo isso porque há poesia no escritório sim, como há paixão em alguns corações assalariados. Há sentimentos nobres e elevados no dia a dia de muita gente que acorda feliz por fazer o que faz, de gravata no pescoço ou vassoura na mão. Trabalho também é autoconhecimento. Ajuda a gente a afinar sentimentos, ajuda a praticar caridade, paciência, tolerância, respeito a quem está acima, respeito a quem está abaixo. Eu trago o amor junto de mim e de minhas idéias de redator todos os dias em que vou trabalhar. Mas também ralo muito para jogar na lixeira alguns comportamentos broncos, orgulhosos e infantilizados. Às vezes ganho, outras perco. Isso é viver. Mas o legal disso tudo é poder se exercitar fazendo algo que você realmente goste, que te dê prazer, que você ame de verdade. Uma atividade que, além do reconhecimento financeiro, dê também vazão ao amor que temos guardado, para uso apenas em horário extra comercial - as horas vagas. Eu não escolhi a atividade que exerço hoje. Ela que me escolheu. E sou feliz. São 9 anos na estrada e continuo apaixonado. Afinal de contas, se o salário é importante, o amor pela profissão, este sim, tem me remunerado muito bem.



Nota: Este texto, comparado ao “parênteses”, publicado por mim esta semana, é uma prova de que a gente pode (e deve) aprender com os dias ruins. Eu amo o que faço. Esteja eu do lado de cá, descascando o abacaxi, ou do lado de lá, tomando o seu suco.

Domingo, Maio 04, 2008

parênteses

Atente: são 23h35 do primeiro domingo após o dia internacional do trabalho. O feriado caiu na quinta e eu hoje, no domingo, de cansaço. O trabalho em agência de propaganda é bastante cobiçado. Uma vaga na criação é o desejo de quase a totalidade dos ingênuos alunos que ingressam na faculdade. Os sonhos deles, com creme fresco, polvilhados de açúcar de confeiteiro, logo viram abacaxis, pepinos, batatas fervendo ou ossos daqueles bem duros de roer. Como este que eu, mais alguns colegas criativos e esfacelados, estamos roendo unidos. Olha aí, já são 23h40. Ops, 41. O tempo come os minutos, as energias e a sanidade criativa da gente. Aí é preciso jogar palavras ao vento, palavras sem briefing, sem público-alvo, sem resultado de vendas. Palavras soltas e despretensiosas, livres como eu era antes de comemorar meu primeiro banner criado depois de sentar-me feliz na cadeira de redator pela primeira vez, há nove anos. O olhar esfuziante de ontem eu troco por olhos areados de hoje. A fantasia de estudante, eu troco pela noite em claro - e sem sonho -, do domingo do trabalho. 23h44. O glamour, que alguns ainda insistem em acreditar que a profissão tem, o glamour das nights de confetes e prêmios, fica perdido de insônia nas esbugalhadas e sucessivas noites de ralação, noites e madrugadas que, diferente do doce sonho de estudante, deixam um desagradável gosto amargo nos fins de semana da gente.